Pacaraima se transforma com fluxo intenso de venezuelanos e convive com migração como parte da rotina
- Redação

- 5 de jan.
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Pacaraima, no extremo Norte de Roraima, tornou-se ao longo da última década um dos principais retratos da crise venezuelana no Brasil. Porta de entrada terrestre do país vizinho, o município passou a absorver, de forma contínua, os impactos políticos, econômicos e humanitários que atravessam a fronteira. Desde 2015, mais de 1,1 milhão de venezuelanos entraram no Brasil pela cidade, alterando de maneira estrutural a dinâmica local.
Com pouco mais de 19 mil habitantes, Pacaraima precisou se adaptar rapidamente a um fluxo migratório muito superior à sua capacidade original. Praças, comércios e serviços passaram a integrar o espanhol ao cotidiano, enquanto migrantes buscam oportunidades de trabalho, acesso à saúde e condições mínimas de estabilidade. A presença venezuelana deixou de ser pontual e passou a compor a identidade da cidade, tanto no mercado formal quanto nas atividades informais.
Momentos de tensão marcaram esse processo, especialmente em 2018, quando conflitos ganharam repercussão nacional e evidenciaram os limites da infraestrutura local. A partir daí, a Operação Acolhida estruturou um modelo de resposta coordenada, com triagem, vacinação, regularização documental e interiorização de migrantes para outros estados. Ainda assim, parte significativa dessa população segue vivendo fora dos abrigos oficiais, inserida diretamente na economia local.
Hoje, Pacaraima vive um cenário de adaptação contínua. O crescimento populacional impulsionado pela migração refletiu até mesmo no uso de meios de pagamento digitais, como o PIX, e redefiniu o funcionamento do comércio. Entre incertezas geopolíticas e expectativas por estabilidade, a cidade segue como um ponto estratégico na fronteira brasileira, lidando diariamente com os desafios e as transformações de ser, ao mesmo tempo, limite territorial e linha de acolhimento.

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